WTFPR: Conto - Aprovado By CG
wtfpr-wtfpr:
Contam que uma vez todos os sentimentos e qualidades dos homens se reuniram em um lugar da terra para passarem o tempo, se entreterem.
Quando o ABORRECIMENTO havia reclamado pela terceira vez, a LOUCURA, como sempre tão louca, lhes propôs:
- Vamos brincar de esconde-esconde?
A INTRIGA levantou…
❝Ela estava chateada, eu sabia. Ela nunca havia ficado assim, mas… Ela tinha que saber que eu não era o tipo de cara que ela sempre dizia que amava. Eu era egoísta, brincalhão e idiota, eu nunca disse que precisava tanto dela, sempre disse que poderia seguir minha vida sozinho, mas ela sempre sorria e deixava pra lá. Por que ela não conseguia entender que eu tentava esconder todos esses sentimentos? Eu não era o tipo de cara romântico, eu nunca fui e ela sabia disso. Ela tinha que entender, ela tinha que aceitar, e ela tinha que continuar me amando depois de tudo. Sabia que tinha errado com ela, mas ela era a culpada. Ou era puro egoísmo meu. Há 20 dias atrás, exatamente às seis horas da tarde quando eu havia chegado um pouco bêbado demais, ela pegou a bolsa, passou uns vinte minutos lá e depois foi embora pela maldita porta do apartamento. Eu não precisava dela, repetia em minha cabeça. Três dias depois, eu senti falta de seu cheiro no meu travesseiro, do cheiro de sua comida meio dia, de suas meias jogadas pelo meu sofá no domingo, de sua escova de dente molhada ao lado da minha, de sua calcinha ao lado do box, de sua toalha rosa colocada ao lado da janela, de seus tênis de corrida cinzas, de suas camisolas na minha gaveta de cuecas… Eu senti falta de tudo dela. Minhas ligações nunca eram atendidas, eu acreditava que ela esperava que eu dissesse alguma coisa, mas o meu orgulho não deixava escapar nada além de “espero você de volta”. Agora, eu estou aqui deitado no sofá com tudo bagunçado e o celular na mão, esperando uma resposta, esperando um “estou aqui na sua porta”, seus amigos me diziam que ela estava bem, saía quase todas as noites, ficava com caras e curtia a vida. Eu fiz isso, não foi? Eu a machuquei tanto assim? Eu só achava que não era justo eu sofrer tanto por ela, enquanto ela curtia a vida em uma boate, bebendo todas e com muitos garotos ao redor da minha garota.
— Eu só deveria ter acreditado, antes que ela me amava.
— Mylena Rodrigues (
um-cappuccino)
❝Era uma vez uma menina muito solitária, seu nome era Sierra e ela tinha apenas 16 anos de idade. Ela sempre estava confusa e desanimada, sem vontade de continuar vivendo. Seus pais se sentiam muito infelizes ao ver que a filha estava cada vez pior, e acabavam sempre brigando um com o outro, tentando se culparem pela tamanha tristeza da filha. Ela só ficava no quarto, sentada no computador escrevendo histórias. Algumas, eram sobre um casal de apaixonados que sempre estavam juntos e eram muito felizes. Sempre que ela saia do quarto, para tentar conversar com os pais, ou até para comer alguma coisa, já voltava para o quarto chorando, pois só havia tumulto e confusão da parte de seus pais. Um dia, eles levaram Sierra a uma festa do chefe de seu pai, e no caminho a mãe apenas a pediu para fingir que estava feliz e com vontade de ir. Ela apenas balançou a cabeça. Assim que chegaram, Sierra viu meninas lindas, com os cabelos compridos e alisados, com os rostos parecendo bonecas e todas acompanhadas. Ela pensou: “elas são tão lindas. eu nunca conseguiria um namorado.” Ela pensou nisso durante a tarde toda enquanto estava na festa. Ela observou muito as meninas, e viu o quanto eram diferentes. Sierra tinha cabelo preto e curto, sem maquiagem nenhuma, sem brincos ou qualquer outro tipo de acessório. Ela não tinha vontade de se arrumar e de ficar bonita, ela não queria. Ela começou a pensar nas histórias que escrevia, nas juras de amor que o casal que ela inventará trocavam um com o outro, nos momentos vividos, nas mãos dadas… E ela queria tanto poder ter alguém para dividir a vida. Quando já estava anoitecendo, Sierra estava sozinha na mesa e seus pais estavam andando pela festa conversando com amigos. Ela olhou para direita, e viu as belas meninas com os rapazes. Olhou para frente e viu as pessoas da idade dos pais dela. Olhou para a esquerda e viu ele: Sebastian. Um rapaz que fez ela olhar diretamente no fundo dos olhos. Teve algo ali, entre eles, uma química que se fez apenas com uma troca de olhares. E assim, os dois sorriram. Eles levantaram ao mesmo tempo e foram um ao encontro do outro. Conversaram muito. Sierra ficou encantada em como Sebastian era parecido com ela. E adivinha algo que os dois tinham em comum? Os dois escreviam histórias. Sierra contou como eram as suas e Sebastian ficou encantado. Ele esperou ela terminar de falar e disse que também escrevia história desse tipo. E dali, os dois começaram a ficar muito juntos. Conversavam o dia inteiro pelo computador ou telefone. E Sierra, começou a sorrir, a se sentir bem e feliz. Ela havia voltado a conversar mais com os pais, e isso empediu as brigas dos pais. Sebastian e Sierra começaram a namorar no dia 9 de outubro de 2004. Dois dias depois de se conhecerem. E quer saber? Estão juntos até hoje. Felizes, um completando o outro e provando a todos que não há a mínima necessidade de ser perfeito aos olhos de todos. Você só precisa ser você mesmo, e vai acabar sendo perfeito para alguém. E acredite, você é per(feito) para alguém. Sabe para quem? Para aquela pessoa lá, óh. Lá na frente, no seu futuro. Quando você passar por toda a tempestade, por toda a dor, é aquela pessoa ali que vai te fazer feliz. Porque ele, é per(feito) para você.
— Per(feito) para você, por Isabela Souza. preencher-te (via
preencher-te)
❝Ele:
Teus olhos verdes se confrontavam com o brilho da lua cheia, que se escondia com delicadeza através de nuvens abstratas sobre o céu obscuro e sombrio. Esse efeito fazia com que eles brilhassem de uma forma surpreendente, saciando-me de um jeito inexplicável. Tuas mãos percorriam pelas minhas fazendo com que gotas de suor respingassem sobre o piso do enorme e esplendido salão. Da tua boca saiam palavras que pareciam pronunciadas em mandarim. Não conseguia entender completamente o que estavas falando, pois estava focado demais na sua beleza. Após alguns minutos, com dificuldade interpretei uma pequena parte das palavras que saiam da sua boca carnuda.
– Quer dançar? – A tua voz me enlouquecia. Pelo tom identifiquei um pouco de medo. Balancei lentamente minha cabeça respondendo com um sinal positivo. Teus braços entrelaçaram sobre a minha cintura. Começamos a girar com suavidade e doçura.
Uma dança não é motivo de nervosismo, exceto quando você está frente e frente com o que parece ser o amor da sua vida. Nossos passos arrastados indicavam temor. Numa tradução mais clara e direta: medo. Medo de por acaso estar conduzindo a dança de forma errada. Conforme a música soprava sobre nossos ouvidos e lá fora a noite tornou-se silenciosa, pude concluir algo extraordinário: para que sentir medo? Tua presença era mais do que o suficiente para confortar qualquer sentimento ruim que passasse pela minha cabeça. Não, não! Na parte mais agitada da música, dei-me conta de que não me importaria nem um pouco se o mundo desabasse sobre nós. Estar ali naquele ingênuo dois pra lá e dois pra cá contigo era o meu maior sonho realizado.
Ela:
Tua boca rosada se aproximava vagarosamente, inquieta. Perdida demais entre teu cheiro ofegante e doce. Teu corpo caloroso junto ao meu aquecia-me deixando-me extremamente confortada. Posso confirmar que em todos esses anos de frio intenso ele tinha sido o único “cobertor” que me esquentara magnificamente. Cada vez mais próximo teus lábios iam ao encontro dos meus, encaixara teus lábios carnudos entre os meus lábios secos. Você conduzia minha língua ao ritmo da música. O gosto do teu beijo me enfeitiçara.
No fim da dança, estava preparada para ouvir três palavras que levariam ao topo da felicidade: eu te amo. Mas um certo som penetrou nos meus ouvidos e me desconcentrou. Um som enervante, que estragou o clima romântico. Pisquei. Uma, duas, três vezes. A cena havia mudado. Eu me encontrava deitada no meu quarto, sendo acordada pelo despertador. Infelizmente, tudo não passara de um sonho. Agora é tempo de encarar meu pesadelo: a realidade.
—
Leonardo Maciel e Mayne Silva (Ourdrafts)(Source: ourdrafts)
É a Hora do Chá!: Morango
teaandtales:
Continuação de “Café”, mas não é preciso ler para entender este. Mas se quiserem, ficaria feliz.
Ele ficou a admirá-la por alguns instantes: os lábios rosados, o cabelo solto e as mãos pegando morangos e mergulhando-os em calda quente de chocolate. Ela agradeceu ao vendedor, afastou-se da venda e caminhou em direção a ele. No meio do caminho, mordeu o morango, levou 4 segundos saboreando e depois passou a língua nos lábios para retirar o chocolate.
Sentiu uma pressão leve no ventre. Imagens da noite passada invadiram sua mente. Desviou os olhos imediatamente e suspirou nervoso. Diminuiu a distância entre eles, indo ao encontro dela também.
- Você não devia comer morangos assim. Ainda mais com chocolate. - murmurou no ouvido dela. Ela soltou o velho sorriso de lado, arrogante.
- Porque não, hã?
- Porque me faz lembrar da noite passada e ter vontade de repetir a dose. Aqui mesmo. E sabe que não podemos- ele procurou os olhos dela, desafiando. Não adiantava, eles sempre desafiariam um ao outro. Ele até esperava já o próximo desafio da parte dela.
- E quem disse que não podemos? - ela mordeu um outro morango com chocolate e deu um leve beijo no canto da boca dele. - Quer morango?
Ele suspirou incrédulo. Certas coisas não mudavam, realmente. Puxou-a para longe dali, afim de irem para o apartamento de um dos dois. E pensar que aquilo começara com café.